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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Professor, o que você pode fazer por seu aluno que gagueja?

As vezes o professor faz uma simples pergunta, do tipo "Você entendeu?" ou " Onde está seu caderno?".
E para o aluno que sofre com gagueira, parece que o mundo inteiro vai cair sobre sua cabeça.
O aluno começa, então, a bater o pé no chão, a mexer nos cabelos e a repetir uma mesma sílaba. Ele vai ficando cada vez mais nervoso ao tentar, sem sucesso, responder à sua questão.
O professor percebe o mal-estar e fica na dúvida: espera o aluno a falar ou ajuda-o, completando as palavras?

E realmente, lidar com um estudante gago traz insegurança aos professores.
Algumas atitudes até agravam o problema que se não for tratado, afeta também a auto-estima, a socialização e a aprendizagem do aluno.
Por isso, é importante que os professores sejam orientados quanto a gagueira, fazendo com que sua atuação seja positiva em sala de aula, contribuindo para a melhora do aluno.

A gagueira (disfluência da fala) ainda não tem causa determinante.
Pesquisas já comprovaram que fortes emoções não desencadeiam a gagueira, mas situações acompanhadas de críticas, humilhações e fortes emoções pioram um quadro de gagueira já existente.
É comum o aparecimento de uma fala disfluente na fase pré-escolar. Nessa fase, os pequenos estão automatizando a fala, aprendendo a falar e é natural que apresentem dificuldades ao pronunciar algumas palavras e frases, mas ainda não pode ser considerado gagueira.
Falar não é um ato tão simples assim. Exige certa precisão nos órgãos motores da fala.
A criança na idade pré-escolar está dominando a linguagem, conhecendo seus movimentos e o próprio corpo. É normal que a criança hesite, ou que faça pausas longas e repita palavras, pois é o ensaio da fala.
Essa fala disfluente na criança em fase pré-escolar pode simplesmente desaparecer ou em alguns casos, acaba se instalando e evoluindo para um quadro de gagueira.
Por isso é importante que os pais e os professores sejam orientados quanto as condutas adequadas diante das situações de gagueira.

A partir dos 6 a 7 anos, a fala disfluente deve diminuir progressivamente. O problema começa a ser preocupante quando o aluno repete sons e sílabas, demonstra esforço para falar, faz movimentos repetidos como piscar os olhos, bater a mão ou o pé ou mexer nos cabelos e não olha para a pessoa com quem conversa.
Quando isso começa a acontecer, além da dificuldade em falar, o aluno passa a ter dificuldade em lidar com suas próprias emoções: vergonha, tensão e ansiedade que surgem com as críticas.
Quando os pais ou os professores censuram o modo da criança falar ou pede que ela repita devagar, estão mostrando insatisfação com o modo que ela fala. A insegurança e o medo de falar geram no aluno uma pressão emocional e a gagueira se agrava, o aluno se isola e seu rendimento cai.
Por isso é importante que pais , professores e até mesmo funcionários da escola sejam orientados.
No geral, as pessoas devem ser orientadas a ter paciência e evitar interromper o aluno ou chamar a atenção dele para falar devagar.
Quando a criança é muito nova, nem nota a dificuldade da fala porque importa mais o que ela quer falar do que como fazer isso.
Como a criança não percebe se está se expressando corretamente, não se sente rotulada nem deixa de conversar.
Mas, se o adulto começa a chamar a atenção da criança no momento que ela apresenta a dificuldade da fala e ressalta os seus "erros", a criança começa a dar importância ao jeito de falar e fica com medo de abrir a boca outra vez. É exatamente nessa atitude do adulto que a fala com suas dificuldades naturais da idade, passa a evoluir para um quadro de gagueira.
As vezes o problema nem se agrave tanto ou talvez desapareça com o tempo, mas a baixa auto-estima, a dificuldade de se socializar e a insegurança as vezes ficam.
Disfluências de fala na fase pré-escolar é uma situação que requer cuidados e atenção, porque a criança pode se tornar um jovem frustrado e inseguro no futuro.
Portanto professores, é essencial agir com paciência e naturalmente com o aluno gago, respeitá-lo e incentivar os colegas a fazer o mesmo. Isso vai ajudá-lo a se sentir aceito e à vontade.

Para incentivar e ensinar a turma da classe a lidar com as diferenças, o professor pode elaborar atividades ligadas à linguagem em que todos digam o que pensam e sentem, sempre trabalhando o respeito às peculiaridades de cada um.
As brincadeiras com rimas, músicas e instrumentos musicais também são úteis, pois nessas atividades o aluno com gagueira apresenta menos dificuldade.
É muito importante que o professor olhe sempre nos olhos do aluno.

Atitudes positivas e negativas dos adultos
que convivem com crianças ou jovens gagos:.
Uma preocupação do professor, diante destas crianças, deve ser:
-como se espera que ela participe em sala de aula? A resposta a esta pergunta depende da criança.
De um lado pode-se ter uma criança que é despreocupada e alegre em participar junto com as outras crianças.
Por outro lado, pode-se ter uma criança na qual a exposição a faça chorar, negar-se a falar ou falar com sofrimento.
Professor:
-Assim, é importante que o professor converse abertamente com o aluno. E verificar quais situações em sala de aula ela se sente à vontade para participar.
-O professor deve agir com paciência, calma e pronto a dar apoio.
-É aconselhável que converse com a criança em particular.
-Demonstre suas capacidades e incentive o aluno a participar. Se mesmo assim o aluno continuar não se sentindo à vontade, demonstre que não há problema e que ela poderá sempre contar com você, demonstrando que a aceita como a todos os outros alunos.
Em situações de perguntas e respostas:
Outra dúvida do professor é quando se faz perguntas em sala de aula.
Como assegurar o melhor para a criança que gagueja nesta situação?
Aqui vão algumas dicas:
- Inicialmente, até ela se adaptar a turma, faça-lhe perguntas que não impliquem em longas respostas;
-Se for fazer uma pergunta a cada aluno, descubra antes se a criança que gagueja prefere que lhe seja logo perguntada ou depois, pois a preocupação com a fala e a tensão pode gradualmente aumentar a cada aluno que é perguntado;
-Assegure com a turma que todos terão o tempo necessário para responder a pergunta, respeitando se algum colega demorar.
Apresentação de trabalho
Este tipo de atividade pode ser muito dolorosa para a criança que gagueja e deve ser adaptada na medida do possível.
-Se a criança preferir ler na frente, por exemplo, ou apresentar um trabalho por escrito, pode ser uma boa solução.
Ler em voz alta na sala de aula.
Nem toda criança que tem gagueira gagueja na hora da leitura.
Mas há aquelas que podem até gaguejar mais no ato ler que falando.
Saiba que estas podem ser fluentes caso leiam em coro com alguém.
Assim, sugere-se que a leitura possa ser feita em duplas, em coro, caso haja alguma criança com gagueira na turma.
Não faça a leitura em coro apenas com o aluno que gagueja para que ele não se sinta excluído dos demais.
Gradualmente, quem sabe ele mesmo ganhe a confiança em ler alto sozinho.
Lidando com os alunos que riem da criança com gagueira
A gagueira, muitas vezes, não é aceitável, o que pode levar as pessoas que não entendem a criança que gagueja a brincarem com o seu problema.
No entanto, este tipo de atitude pode trazer sérias conseqüências emocionais a mesma.
- se a criança tem sido perturbada pelo seu modo de falar, converse com cada aluno que esteja fazendo isso, individualmente, e explique sobre o problema e as conseqüências desse tipo de brincadeira para o colega.
- caso persista, reúna-os e coloque como inaceitável este tipo de situação, fazendo-os entender o porquê
.- trabalhar com a turma sobre o respeito as pessoas e suas diferenças é um conteúdo sempre bem-vindo em todas as turmas.
Pequenas atitudes que fazem grandes diferenças
1. Nunca diga a criança para falar mais devagar, relaxar, respirar antes de falar...
2. A única forma de ajudar o aluno quando estiver gaguejando é ouvindo-o com atenção e paciência.
3. Não complete a frase para a criança. Deixe-a terminar a seu tempo;
4. Auxilie a todos da sala a saberem conversar e ouvir. Todo ouvinte merece atenção.
5. Demonstre que para você interessa o conteúdo da mensagem e não como ela está sendo transmitida. Avalie seu aluno pelo conteúdo.
6. Não solicite da criança que gagueja algo que perceba que não está à vontade para participar.
7. O assunto gagueira não é proibido. Fale sobre ele como se fala sobre qualquer assunto.
8. Faça as adaptações necessárias na sala de aula para auxiliar a criança que gagueja.

O que fazer:
■ Tratar a criança como as demais durante uma conversa.
■ Dar atenção ao que ela diz, e não a como se expressa. Se ela estiver ansiosa, diga que você tem tempo e não a interrompa.
■ Incentivar a participação dela nos dias em que apresentar mais facilidade para falar.
■ Repetir de forma espontânea o que ela disse, tornando a conversa natural. Ao ver que foi compreendida, ela dará menos importância ao modo como se expressa.
■ Reduzir a velocidade de sua fala ao conversar com ela, marcando bem as pausas e olhando em seus olhos.
■ Fazer perguntas que possam ser respondidas com poucas palavras até que ela se sinta à vontade na classe.
■ Pedir aos alunos para ler em conjunto e em duplas. A maioria dos gagos torna-se fluente ao ler acompanhada, pois o ritmo da leitura é demarcado e previsível.
■ Falar com a turma, sem a presença da criança, sobre como é ruim gaguejar e que chacotas só pioram o problema do colega.

O que não fazer:
■ Falar para a criança parar de gaguejar.
■ Pedir para pensar ou respirar antes de falar (isso atrapalha porque o pensamento, a respiração e a fala ocorrem naturalmente).
■ Responder por ela ou terminar suas palavras.
■ Propor que pare a frase no meio e recomece.
■ Demonstrar impaciência, irritação ou desconforto em relação a como ela fala.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A criança que gagueja na escola: o que fazer??

A criança que gagueja na escola: orientação aos professores:

Os professores frequentemente mencionam dificuldades para decidir o que fazer com uma criança que gagueja na classe.
Por exemplo...
Até que ponto e em que situação deve-se pedir para essa criança ler em voz alta?
Deve-se conversar sobre a sua fala ou o melhor é ignorar o fato?
O que fazer se outra criança ridicularizá-Ia?
Essas são apenas algumas das perguntas normalmente feitas pelos professores.

A criança na pré-escola
Todas as crianças nesta idade estão aprendendo a falar, assim sendo, cometem erros de fala.
Nós chamamos estes "erros" de disfluências.
Algumas crianças as apresentam mais que outras, mas isto é normal.
Algumas crianças, contudo, apresentam muitas disfluências -particularmente repetições e prolongamentos de sons. Essa característica é bastante perceptível ao ouvinte.
Se você estiver preocupada com alguma criança que esteja passando por isso, não dê muita atenção ao problema neste momento.
Converse com um fonoaudiólogo especializado no assunto (se possível, peça orientação para ele). Também converse com os pais sobre a opinião deles em relação ao problema; de maneira que eles aceitem e apoiem as atitudes que você tiver.
Na maioria das vezes, se as pessoas envolvidas ouvirem e responderem para a criança de uma maneira paciente, calma e sem emoções negativas, a fala da criança deverá voltar ao normal, assim como suas habilidades linguísticas e de adaptação na escola, melhorarão.

A criança no 1º grau
Existem crianças nesta faixa etária que não só repetem e prolongam os sons, mas também apresentam esforço, tensão e frustração ao falar. Essas crianças precisam de ajuda.
Sem ajuda, esse problema (gagueira) poderá afetar sua performance na classe.
Como sugerido com as crianças na pré-escola, se a escola tiver um fonoaudiólogo em sua equipe, consulte-o e converse com os pais para que todos abordem o assunto da mesma maneira.
Uma das maiores preocupações do professor é a reação da criança à sua gagueira na classe.
Não existem regras sobre a participação na classe.
Em um extremo está a criança que está despreocupada e gosta de participar como qualquer outra criança, no outro está aquela criança que chora e não quer falar.
A maioria tem uma atitude intermediária.

Falando com a criança: mostre seu apoio
É aconselhável que se fale com a criança em particular.
Explique a ela que quando aprendemos a falar - como quando aprendemos qualquer outra coisa na escola - cometemos erros.
Nós repetimos sons e nos enrolamos com as palavras.
Com a prática, nós melhoramos.
Explique que você é a professora, uma amiga e que a gagueira não lhe incomoda.
Você quer que ela fale para poder saber o que ela sente, o que ela pensa, o que ela aprendeu e o que quer aprender sobre os assuntos.
Conversando desta maneira com a criança, você fará com que ela saiba que você percebeu que ela gagueja que aceita esse fato e que aceita a criança como ela é.

Respondendo a perguntas
Enquanto estiver fazendo perguntas à classe, você pode fazer coisas que facilitem a situação para a criança que gagueja:
- Inicialmente, até que a criança se ajuste à classe, faça perguntas que ela possa responder com poucas palavras.
- Se forem feitas perguntas para todas as crianças da classe, chame a criança que gagueja logo. Quanto mais a criança esperar mais a tensão e a preocupação aumentarão.

Reforce com toda classe que:
(1) terão quanto tempo for necessário para responder a pergunta que for feita;
(2) que é de seu interesse que elas pensem nas respostas e não respondam às perguntas rapidamente.

Lendo em voz alta na classe
Muitas crianças que gaguejam são capazes de lidar satisfatoriamente com a leitura em voz alta na classe, principalmente se forem encorajadas a praticarem em casa.
Algumas, contudo, irão gaguejar severamente durante a leitura.
As sugestões que seguem poderão ajudar essas crianças:
A maioria das crianças que gaguejam se tornam fluentes quando a leitura é realizada em uníssono com outra pessoa.
Ao invés de não chamar a criança que gagueja para ler, peça que ela o faça junto com um colega. Deixe que a classe toda leia em dupla de vez em quando, dessa forma a criança que gagueja não se sentirá "especial".
Gradualmente ela poderá se tornar mais confiante e conseguirá realizar a leitura em voz alta, sozinha.

Caçoada e ridicularização
A ridicularização pode ser bastante dolorosa para a criança que gagueja e deve ser eliminada.
Se a criança estiver triste em decorrência da ridicularização, fale com ela.
Mostre que muitas crianças são ridicularizadas por diversas razões.
Fale para a criança tentar não levar as gozações a sério.
Se uma criança em particular estiver fazendo as gozações, fale com essa criança em particular e explique que a gagueira é muito ruim para quem tem o problema e que só piora com as gozações.

Tente fazer com que as crianças passem a ajudar aqueles que gaguejam.
Como a maioria das crianças quer a aprovação de sua professora, você poderá fazer um plano de como os colegas poderão ajudar às crianças que gaguejam.
Punir os alunos pela gozação que fazem não ajudará.

Fonoterapia
Se não houver um fonoaudiólogo disponível na escola, sugira que os pais procurem um profissional com especialização na área.
Se estiver em São Paulo, poderão entrar em contato com o Laboratório de Investigação Fonoaudiológica da Fluência e suas Desordens (São Paulo), pelo telefone (011) 818-7453.
Será agendada uma triagem para a criança que será entrevistada por um fonoaudiólogo especialista em gagueira.
Caso você esteja longe de São Paulo, procure um Serviço de Fonoaudiologia em sua cidade.
Exija um especialista, não é qualquer profissional que sabe tratar das gagueiras infantis.
Essas atitudes são algumas sugestões.

Tenha sempre em mente que cada criança é uma e que você, agindo positivamente, poderá fazer uma grande diferença para que a criança supere seu problema.
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Este material foi produzido pela STUTTERING FOUNDATION OF AMERICA, que autorizou sua tradução e distribuição pelo Laboratório de Investigação Fonoaudiológica da Fluência e das Desordens da Fluência, do Curso de Fonoaudiologia da FMUSP, coordenado pela Profa Dra. Claudia Regina Furquim de Andrade. A responsável pela tradução foi a Fga. Femanda Chiarion Sassi.

É IMPORTANTE SABER:
-->A Stuttering Foundation of America é uma organização sem fins lucrativos, fundada em 1947 nos EUA, que tem como objetivo ajudar as pessoas com gagueira.
-->O Laboratório de Investigação Fonoaudiológica da Fluência e das Desordens da Fluência é um centro de pesquisas do Curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, que tem como objetivo, além da realização de pesquisas, promover ações de prevenção e tratamento das gagueiras e também capacitar fonoaudiólogos (especialização, mestrado e doutorado) nessa área da comunicação humana.
Tanto os profissionais, quanto as famílias e escolas podem procurar o Laboratório sempre que necessário.

Gagueira: Dicas para pais e professores

Resumo
O sucesso no tratamento da gagueira infantil depende, em grande parte, das atitudes dos pais e professores.
Neste artigo será abordado o papel do professor na identificação do problema, orientando sobre quando é o melhor momento para ajudar e, principalmente, como abordar o problema no convívio com a criança.

A gagueira infantil ainda é tema de muitas dúvidas por parte de pais e professores e, o que pode ser considerado ainda mais problemático, é que a gagueira ainda é tratada, erroneamente, como uma coisa normal, ou como um problema exclusivamente de fundo emocional, causado pelos pais, pelo nervosismo ou pela timidez.

Atualmente muitas pesquisas têm sido realizadas sobre as causas da gagueira, sendo que as teorias mais atuais apontam para uma causa multifatorial, onde os aspectos genéticos e de processamento cerebral apresentam tanta influência quanto os aspectos psicossociais no desenvolvimento desta patologia.

O avanço científico na área da gagueira faz com que, cada vez mais, seja necessária a intervenção de um profissional especializado e que, os famosos truques e dicas, bem como a "sabedoria popular" caiam progressivamente em desuso, dando espaço a técnicas elaboradas e efetivas.

Nessa perspectiva, o PROFESSOR é, sem dúvida uma pessoa chave na detecção imediata do problema e também uma pessoa de grande importância para o sucesso do tratamento, dando suporte à criança nas atividades escolares e na sua integração social.

Como e quando ajudar?
Buscar um profissional competente e especializado é o mais indicado para quando começamos a perceber que uma criança está apresentando muitas rupturas, tensões ou esforço ao falar.

Na idade pré-escolar os "erros" na fala ainda são bastante comuns e, até certo ponto, aceitáveis dentro do processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem.
Os mais relacionados à gagueira e que merecem atenção são as repetições de palavras, sílabas e sons, os prolongamentos de vogais e os bloqueios, principalmente quando acompanhados de esforço, movimentação facial ou corporal.
É comum crianças apresentarem estes comportamentos típicos da gagueira por apenas alguns meses e depois voltarem ao normal sem nenhuma intervenção.
Mas se dentro de seis meses não houver melhora pode ser um indicativo de que realmente seja um caso de gagueira.

Já na idade escolar as disfluências são sempre preocupantes e essas crianças precisam de ajuda especializada imediata.
Sem essa ajuda a gagueira poderá realmente afetar seu desempenho na escola e seu bem-estar pessoal.
Algumas atitudes dos professores podem ajudar a criança disfluente a passar por esta fase de maneira mais harmoniosa.

Outras atitudes podem, de fato, ter impacto negativo como, por exemplo:
-->falar para a criança parar de gaguejar, pensar antes de falar, respirar, ter calma, começar a frase de novo, mudar seu tom de fala, sugerir que a criança evite as palavras difíceis, responder pela criança ou completar suas frases.
Além disso, demonstrar estar desconfortável, impaciente ou irritado com a forma da criança falar pode ser tão prejudicial como fingir que a disfluência não existe.

Ao invés disso, procure conversar com a criança em particular, explicando que você sabe que ela está apresentando dificuldade para falar, mas que você é seu professor, seu amigo e que a gagueira não lhe incomoda. Diga que você quer que ela fale para saber o que ela sabe, o que ela aprendeu e o que quer aprender sobre os assuntos.
Conversando com a criança desta maneira ela saberá que você percebeu que ela gagueja, que aceita esse fato e que a aceita como ela é.

-->Incentive a participação da criança nos dias em que ela estiver mais fluente.
-->De vez em quando peça para a classe toda (e não apenas ela, para que não se sinta "especial") faça a leitura em dupla, em voz alta, pois lendo em uníssono provavelmente ela não irá gaguejar.
-->Quando for fazer perguntas à classe chame-a logo, para que a tensão não aumente.
-->Sempre que possível reforce para a classe toda que TODOS terão o tempo que for necessário para responder.

-->Outra atitude muito benéfica é reduzir a própria velocidade de fala, fazendo pausas de maneira mais demarcada.

-->Mantenha um contato de olho natural e procure, sempre, prestar mais atenção ao conteúdo que está sendo dito do que à sua forma.

Estas são apenas algumas dicas de como ajudar uma criança com gagueira que devem ser utilizadas com bom senso e considerando as individualidades de cada caso.

Com uma participação positiva dos professores e com a cooperação da família teremos sempre um melhor prognóstico no tratamento das gagueiras infantis.
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Texto de : Daniela Veronica Zackiewicz é fonoaudióloga clínica da Unidade Avançada Einstein Alphaville, especialista em Saúde Coletiva e mestre em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP.
É associada fundadora e presidente da Associação Brasileira de Gagueira (ABRA GAGUEIRA), cujo objetivo principal é melhorar a qualidade de vida das pessoas com gagueira, quer através de ações especializadas para esses indivíduos, quer através de ações educativas para a população em geral.
Fonte: http://www.abragagueira.org.br/paraprofessores_1.asp